O sismo que assombrou na semana passada o Haiti e que vitimou milhares de pessoas (75 mil até este momento) suscitou-me um leque de sentimentos que por vezes estão um pouco esquecidos e que normalmente só são recordados quando algo de muito mau acontece.
Ao ver as imagens que nos chegam a casa através dos meios de comunicação social sinto uma enorme tristeza, frustração e incompreensão.
De facto, sinto muita tristeza ao ver o sofrimento de um povo que foi abalado por uma catástrofe que fustigou tudo e todos, não olhando á idade, sexo nem á raça e cultura das pessoas. É nestes momentos que me apercebo com maior lucidez que não somos nada. Nada mesmo!! O ser humano não consegue controlar os efeitos devastadores da natureza. Fico chocado e sem palavras quando vejo aquelas imagens de pessoas mortas e feridas sem ter qualquer tipo de ajuda. Nem equipas de socorro, nem hospitais, estando entregues a si próprias.
Experimento também o sentimento de frustração quando vejo o sofrimento de pessoas completamente destruídas, em termos físicos e psicológicos, e eu, do outro lado do oceano sem poder fazer nada para aliviar o sofrimento daqueles sofredores.
Sinto igualmente incompreensão pelo facto da comunidade mundial parecer estar inactiva e serena a observar os acontecimentos sem ter qualquer resposta de ajuda humanitária. De facto, nos dois primeiros dias a seguir ao sismo não havia qualquer resposta por parte dos países desenvolvidos.
Por outro lado, foram os EUA a dar o primeiro passo em termos de ajuda humanitária enviando para o Haiti as primeiras equipas de socorro. Foi igualmente o primeiro país a enviar meios militares (11 mil soldados) para garantir a segurança das acções de distribuição de alimentos e a segurança do país.
Continuo a achar que os EUA são a maior potência mundial e aquela que é capaz de projectar forças (militares ou outras) em tempo útil em qualquer ponto do planeta.
A ONU vai enviar (só agora) 3500 militares e policias para aquele país.